
Povo Maori
Neste artigo você vai conhecer mais de perto o povo nativo da Nova Zelândia!
Origem
O povo maori é nativo da Nova Zelândia — chamada Aotearoa em sua língua ancestral — e possui uma história rica que remonta a cerca de mil anos. Segundo a tradição oral, seus ancestrais, cujo nome “maori” significa “local” ou “natural”, partiram da mítica terra de Hawaiki, provavelmente localizada na Polinésia Oriental. Entre os séculos XIII e XIV, as primeiras canoas indígenas (waka) chegaram às costas neozelandesas. A partir desse momento, iniciou-se o processo de estabilização que deu origem à sociedade maori.
Cultura

A cultura maori valoriza profundamente os princípios coletivos, o respeito à natureza e uma conexão espiritual intensa com os antepassados (tipuna). O conceito de whakapapa — que representa a linhagem e a genealogia — ocupa um lugar central na identidade maori. Ele conecta cada indivíduo não apenas aos seus ancestrais, mas também à terra e aos deuses. Da mesma forma, o conceito de whenua (terra) é considerado sagrado, sendo parte essencial da existência humana.
Além disso, a arte maori expressa de forma vívida sua espiritualidade e ligação com o sagrado. Um exemplo notável é a tatuagem facial (moko), que simboliza identidade espiritual e status social. Muitas dessas tatuagens possuem funções protetoras e significados simbólicos profundos. Similarmente, outro elemento essencial da cultura é a língua maori, te reo Māori, que representa um pilar da herança cultural. Após décadas de repressão, esforços contínuos vêm promovendo sua revitalização, especialmente em escolas e mídias comunitárias.
Adicionalmente, mais um aspeto marcante da expressão cultural maori é a dança e o canto de guerra conhecidos como haka. A princípio, usados em tempos de conflito, esses rituais também funcionam como manifestações espirituais e culturais de força, unidade e resistência. Atualmente, o haka é amplamente conhecido e respeitado em todo o mundo, especialmente por sua presença em eventos esportivos e competições, por exemplo as partidas da seleção de rúgbi da Nova Zelândia (All Blacks), como você pode aprofundar neste artigo sobre desportos no país.
Adicionalmente, assista também ao vídeo do Greatest Haka EVER!
Curiosidade sobre a cultura nativa
O povo maori inspirou o desenvolvimento dos povos indígenas nos filmes da franquia “Avatar”, tal qual sua conexão com a natureza, estrutura social e espiritualidade. Sob o mesmo ponto de vista, a Nova Zelândia também já foi local de grandes produções cinematográficas, definitivamente um grande cenário a céu aberto.
Sociedade
Na sociedade tradicional do povo maori, a organização segue uma estrutura hierárquica composta por tribos (iwi), subtribos (hapu) e famílias (whānau). Desse modo, cada tribo ocupa um território específico, liderado por um chefe (rangatira) e sustentado por sistemas próprios de poder e defesa. Além disso, os espaços cerimoniais (marae) funcionam como centros de união, reunindo diferentes tribos em torno de eventos coletivos.
Religião

A religião tradicional maori é politeísta e animista, estabelecendo uma conexão direta entre o mundo espiritual e o físico. Os maoris acreditam em uma variedade de deuses e entidades espirituais (atua), cada um responsável por aspectos distintos da vida e da natureza. Por exemplo, Tāne Mahuta é o deus das florestas e das aves; Tangaroa, o deus do mar; e Rongo, o deus da paz e da agricultura. Sobretudo, as histórias transmitidas oralmente, compõem um vasto acervo de conhecimento ancestral — como a narrativa da separação entre o céu (Ranginui) e a terra (Papatūānuku), que deu origem ao mundo.
O conceito de tapu (sagrado ou proibido) rege a conduta moral e espiritual. Em contrapartida, o estado de noa (comum ou livre de restrições) serve para equilibrar esse princípio. Pessoas, lugares e objetos considerados tapu devem ser tratados com profundo respeito. Caso contrário, segundo a crença tradicional, a violação desse estado pode acarretar sérias consequências espirituais.
Além disto, os rituais religiosos incluem canções (karakia), oferendas, cerimônias de purificação e homenagens aos antepassados. Atualmente, muitos desses elementos continuam vivos, especialmente nos marae, durante funerais (tangihanga) e celebrações culturais importantes.
Embora a chegada do cristianismo, no século XIX, tenha impactado profundamente as práticas religiosas maoris, muitos conseguiram preservar aspectos de sua fé ancestral. Com o tempo, o povo Maori desenvolveu crenças que unem elementos cristãos e maoris. Atualmente, observa-se um ressurgimento do interesse pela espiritualidade tradicional, impulsionado pelo movimento de preservação cultural.
Colonização Britânica
A colonização britânica da Nova Zelândia teve início em 1840, com a assinatura do Tratado de Waitangi (Te Tiriti o Waitangi), entre representantes da Coroa Britânica e vários chefes maoris. O tratado foi redigido em duas versões — uma em inglês e outra em maori — que, no entanto, apresentavam divergências importantes. Enquanto a versão inglesa afirmava que os maoris cederiam a soberania de suas terras à Coroa, a versão maori indicava apenas a concessão de governança limitada, mantendo a autoridade tribal.
Essas discrepâncias rapidamente provocaram conflitos, sobretudo em relação à posse da terra. Para os maoris, a terra era sagrada, vinculada à ancestralidade e identidade coletiva. Por outro lado, os colonizadores europeus, interessados na expansão agrícola, pressionaram o governo a adquirir terras — muitas vezes sem consentimento ou por meios injustos.
Guerras
Como resultado dessas tensões, uma série de confrontos armados ocorreu entre 1845 e 1872, conhecidos como as Guerras da Nova Zelândia ou Guerras Maoris. Os principais embates aconteceram nas regiões de Northland, Taranaki e Waikato. Destacam-se:
- Guerras do Norte (1845–46): lideradas pelo famoso chefe Hone Heke, que resistiu à brutalidade britânica.
- Primeira Guerra de Taranaki (1860–61): resultado da contestada venda de terras em Waitara, com forte oposição de líderes como Wiremu Kingi.
- Campanha de Waikato (1863–64): a maior ofensiva britânica, visando destruir o movimento “Kingitanga”, criado para unir tribos contra a perda de terras.
- Guerras Urewera e da Costa Leste (1865–72): conflitos com resistência de movimentos religiosos e nacionalistas como o Pai Mārire e Te Kooti.
Como resultado, essas guerras terminaram com a vitória britânica, mas deixaram cicatrizes profundas. À vista disso, o povo maori perdeu grandes extensões de terra, o que comprometeu sua autonomia econômica, social e cultural. Como consequência, enfrentaram pobreza, marginalização e décadas de desigualdade.
Reconciliação e Resiliência
A partir do século XX, os maoris passaram a organizar movimentos de resistência política e cultural. Eles exigiram o reconhecimento de seus direitos e reparações pelas injustiças sofridas. Em resposta, o governo neozelandês criou, em 1975, o Waitangi Tribunal — órgão responsável por investigar violações ao tratado e negociar compensações. Desde então, diversos acordos têm sido firmados, representando passos importantes rumo à reconciliação nacional.
Apesar das graves consequências da colonização — como a perda de terras e a marginalização social — o povo maori demonstrou notável resiliência. Atualmente, iniciativas de valorização cultural, educação bilíngue e reconhecimento de direitos vêm fortalecendo a presença e o legado maori na Nova Zelândia.
Além disso, a grande miscigenação dos povos nativos e britânicos, levou a criação de símbolos nacionais que englobam aspetos das duas culturas. Similarmente, a cultura de equilíbrio entre tradição e modernização, bem como a vida em sincronia com a natureza, torna o país economicamente estável e atrativo.

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Artigo escrito por Olivia Campos. Para saber mais sobre a autora, siga para: LinkedIn

